quarta-feira, 7 de julho de 2010

Maquiavel em Odivelas (Breve ensaio sobre o medo)

Transcrevo na íntegra artigo imperdível de João Carvalho, publicado no Diário de Odivelas.


"Por estes dias, um amigo remeteu-me uma mensagem encorajando-me a acabar com uma determinada “monarquia” partidária, em Odivelas. Isto e o falhanço, episódico, do “regicídio” em que estive envolvido, trouxeram-me a estas considerações em torno da política actual, em Odivelas.

Pois, pese embora o facto do nosso concelho também se intitular republicano e laico, seja lá isto o que for, está povoado por reinos (a que alguns chamam partidos políticos), ou pelo menos por grupos que se comportam como cortes, com monarcas, mais ou menos absolutos, príncipes, monteiros-mor, chanceleres, e toda a espécie de servidores.

A sua vida corre deleitosamente entre festas, saraus, entremezes e jantares a propósito de tudo e de nada. Tratar do bem dos súbditos é que népia.

Todos? Bem, conheço melhor uns do que outros, de modo que deixo ao critério dos “súbditos” de cada um a questão da carapuça.

E aqui entra “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel.

Um dos seus capítulos diz respeito à melhor maneira de ter os súbditos na mão.

E Maquiavel, decididamente, aconselha vivamente o seu Príncipe a usar o medo como arma, em vez, por exemplo, do amor.

Porquê? Porque de entre todos os sentimentos que povoam a mente e o coração dos homens, o mais decisivo, determinante e poderoso é o medo. Controlam-se mais facilmente indivíduos amedrontados.

Nas sociedades modernas, e Odivelas passa por sê-lo, o medo provocado pelos líderes políticos tem variantes curiosas.

O maior medo é o de que os políticos sejam todos iguais.

Quem está no poder esforça-se, entre outras coisas, por calar as oposições, nomeadamente as internas, não dando possibilidades para que essas vozes sejam conhecidas e ouvidas, chegando ao ponto de controlar meios de comunicação para obviar ao seu conhecimento pelos militantes e população em geral.

As suas sedes estão quase sempre fechadas, nada fazem para mostrar o que vai dentro, e muito menos promovem a discussão e o debate interno.

Sobra o tempo das eleições, que é sempre curto, e em que os militantes olham de soslaio para as súbitas arremetidas dos candidatos.

No fim isto leva às grandes abstenções que favorecem quem está no poder, pois quem fica em casa é que é a maioria que pode mudar as coisas.

Relacionado com este medo está o medo de votar, ou o medo no acto de votar. Estranho, não é? Como, sendo o voto secreto?

Mas quem esteve, nos últimos sete meses, numa mesa de voto partidária, em quatro eleições, compulsando os cadernos eleitorais, assistindo ao desfile das diversas “famílias”, devidamente enquadradas e sabendo das ausências, sabe que muitos são “obrigados” a votar em determinado sentido e outros preferem não ir votar para não correrem o risco de ser contabilizados no lado oposto.

E porquê?

Por causa de outro medo.

O do desemprego. O desemprego político e o outro, o próprio, o do ganha-pão.

Escuso de relatar detalhes deste tipo de medo com que alguns líderes políticos manipulam os seus correligionários. É uma praga em Odivelas. Basta pensar que, entre Câmara Municipal, Empresa Municipal e Juntas de Freguesia, todos juntos, se encontram dos maiores empregadores no concelho.

Apesar de o Centro de Emprego ser em Loures, escusamos de reclamar um para Odivelas, porque as sedes de vários partidos fazem bem esse papel.

Há ainda o medo da mudança.

Que é o medo de perder as referências mais próximas, as caras que já se sabe onde estão e o que fazem, mesmo que o façam mal; mesmo que só sirvam para adiar, prometer e não cumprir.

Mas, pessoalmente, o medo que mais me impressiona e me preocupa, é o medo nos jovens.

Porque eles são, por natureza, destemidos, pouco se preocupam com o “status quo” e são sempre abertos à mudança.

A vida actual catapultou para a actividade política muitos jovens interessados em adquirirem competências e estatutos que contribuam para melhorar a sociedade.

Isto é louvável e legítimo.

Como então, mal começam, se deixarem enfeudar a caciquismos obsoletos, a fracas promessas, a míseras benesses, a grupinhos sem ética nem valores, permitindo, em suma, que outros decidam por eles?

Enfim, e em geral, podendo ser águias, porque nos comportamos como galinhas?

Por quanto mais tempo vamos ter de conviver com este tipo de medos em Odivelas?

Até ao momento em que as pessoas, os militantes, os cidadãos se decidam, primeiro, a não ter medo de enfrentar o medo.

Se decidam a pensar no que verdadeiramente conta para se andar na rua de cabeça erguida e consciência limpa.

Se decidam a começar a importar-se quando lhes apontarem o dedo como tíbios ou invertebrados.

Quando conseguirmos ultrapassar este dilemas interiores, não há nenhum “Príncipe” que nos meta medo."

João Carvalho

Jurista

jrlcarvalho@sapo.pt


Diario de Odivelas
6 Jul 2010
08:08

domingo, 4 de julho de 2010

Comparações?

Seis Assembleias Municipais do Norte do País convocaram um protesto contra a introdução de portagens nas Scuts.
Pessoalmente concordo com a introdução de portagens nas Scuts, por entender que os portugueses não podem estar a pagar o que só alguns utilizam.
Mas não está em causa se o protesto é justo ou não, mas sim a determinação destes autarcas em lutar por aquilo em que acreditam.
Gosto de ver quando os autarcas não fazem fretes ao Governo e ao Poder e lutam ao lado do povo que os elegeu.

sábado, 3 de julho de 2010

Estive lá!

Estive presente na tomada de posse de Miguel Xara Brasil para Presidente da Comissão Política Concelhia do CDS/PP.
Passaram por lá também outras pessoas que não sendo do CDS/PP, quiseram cumprimentar e abraçar o homem que para além de autarca vai agora iniciar as funções de responsável concelhio do CDS/PP.
Gostei de ver e senti-me bem, apesar de não me identificar com a linha ideológica do CDS/PP, mas o que importa são os homens e aquilo que eles fazem e podem fazer, talvez um dia as pessoas entendam a política de outra forma e consigam conviver com todos apesar das convicções que os diferenciam.
Bom trabalho Miguel Xara Brasil!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A diferença!

Foi notícia a marcação de um protesto envolvendo a população de Almodôvar por parte do Presidente da Câmara Municipal, contra o encerramento das urgências do Centro de Saúde daquela localidade.
Em Odivelas passou-se precisamente o contrário, reduziu-se o horário do Catus, a Presidente de Câmara aceitou e concordou, a população protestou através de iniciativa promovida pelo Movimento Mais Saúde e a Presidente de Câmara defendeu a perda deste serviço.
Conclusões, comentários e palavras para quê, se é uma autarca de Odivelas!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vá lá perceber-se porquê!

Será que alguém acharia natural numa comemoração do Dia Internacional da Criança num país qualquer com uma língua diferente da nossa, ver representada uma peça de teatro em português?
Será que as crianças desse país perceberiam a nossa língua e o conteúdo da peça?
Pois bem, por cá no nosso concelho, a Câmara Municipal de Odivelas decidiu comemorar este dia com a exibição de uma peça de teatro em espanhol!
Ficámos entretanto a saber através de resposta a uma Educadora de uma Instituição da Póvoa de Sto. Adrião, que a Srª Presidente da Câmara considera natural que se conviva com todas as línguas e também ficámos a saber segundo ela, que as crianças perceberam o conteúdo da peça exibida!
Conclusões, comentários e palavras para quê, se é uma autarca de Odivelas!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fazer faz-se, mas...

Andam por aí a dizer que não se faz nada, mas quem o diz, não vê o que devia ver.
Hoje vou falar sobre o Jardim da Ribeirada, segundo se diz uma obra do orçamento participativo.
Ainda não há um ano que aquele espaço estava em obra, mas em Novembro já estava de pé e inaugurado como é habitual neste concelho, com pompa e circunstância.
Daí para cá o jardim ficou mais completo e já mais apto a outro tipo de utilizações, como por exemplo a prática da canoagem (quando chove), btt, corta-mato e agricultura.
Quem disse que o slogan de “Terra de Oportunidades” não está bem aplicado!

terça-feira, 22 de junho de 2010

O País e o Concelho

Não há muito a dizer sobre o Plano Inclinado em que este País e este Concelho são governados, professor e aluna vão semeando erros, alguns deles semelhantes e com uma tendência decisiva no aumento da inclinação para o fundo.
Infelizmente os efeitos desta má governação no País e no Concelho fazem-se sentir na nossa qualidade de vida e por isso esta classe política existente e medíocre vai ter os dias contados.
O problema é que se as esperanças de recuperação já são poucas, no momento da sua rendição já não serão nenhumas, tal o estado em que o professor e aluna irão deixar o País e o Concelho.
Tomara que fosse hoje, o País e o Concelho só tinham a ganhar!